O que é risco, para você? Eu gosto de definir risco como a chance de ocorrência de eventos que poderão produzir resultados diferentes do que havíamos planejado, e inferiores ao esperado. Quando os resultados são melhores do que a previsão, os eventos são chamados de oportunidades. Há três aspectos a considerar quando falamos de riscos e oportunidades: a possibilidade de antever o evento, a possibilidade de controlar a ocorrência, e, finalmente, a definição do nível de exposição ou aceitação dos riscos.
Antecipar a ocorrência de um evento é algo bastante complexo. Estamos no campo da percepção daquilo que é possível ocorrer, da probabilidade de eventos futuros. Uma dificuldade vem de fora, está relacionada ao ambiente. Os acrônimos
VUCA
(Volatility, Uncertainty, Complexity, Ambiguity) ou
BANI
(Brittle, Anxious, Nonlinear, Incomprehensible) tentam descrever a nitidez cada vez menor do horizonte à nossa frente. Além da velocidade da mudança alucinante e provavelmente inédita, a relação entre fatos aparentemente desconexos pode levar a consequências de segunda ou terceira ordem difíceis de prever. Isso sem falar das questões tecnológicas, que podem seguir uma evolução exponencial, muito mais difícil de antever do que as evoluções lineares que nosso cérebro normalmente projeta.
A questão do controle das ocorrências é também um complicador importante. Ao mesmo tempo em que muitos eventos que nos impactam não são decididos ou controlados por nós, há uma miríade de eventos que podemos controlar - o problema então é selecionar aqueles que potencialmente trariam o maior impacto e tomar as ações para minimizar sua chance, no caso de eventos negativos, ou otimizar seu sucesso, para os positivos. A decisão do que deve ser priorizado é influenciada por
vieses cognitivos, e por aqueles eventos não controláveis que mudam o tabuleiro todo, os
cisnes negros. Mas algum controle é fundamental: por exemplo, ainda que vários aspectos de nossa saúde não estejam sob nosso controle, seria uma estupidez deixar de fazer o que está a nosso alcance para uma saúde melhor.
Se é difícil antever as ocorrências e controlá-las tem um efeito tão limitado, o que fazer para gerenciar os riscos? A questão chave é definir o nível tolerável de exposição ao risco (ou o nível de exposição desejada à oportunidade), e a partir daí criar a matriz de aceitação de riscos, que é o cruzamento entre a probabilidade de ocorrência com o impacto trazido pelo evento. A melhor maneira de construir esta matriz é selecionar as categorias relevantes e fazer o exercício de identificação dos cenários. Há ferramentas estruturadas que podem ser aplicadas para a maioria das questões de negócios. O exercício tem a enorme vantagem de criar cenários mais palpáveis e permite imaginar o que ocorreria se cada um deles se materializasse. Em seguida, definimos ações para mitigar aqueles riscos considerados inaceitáveis ou nos preparamos para as oportunidades. O exercício também permite criar cenários de crise, e preparar-se para eles: é sempre bom ter um roteiro de gerenciamento de crises pensado em tempos de tranquilidade, em vez de tomar decisões críticas no calor da hora.
Você pode argumentar que a criação de uma matriz de aceitação e a identificação das ações não enfrenta realmente a dificuldade de antever e controlar os eventos, mas há duas vantagens no método, além da criação de cenários mais palpáveis sobre os quais é possível fazer discussões e reflexões estratégicas. A primeira vantagem é que ajustamos nosso foco para aquilo que podemos fazer, as ações, e com isso nos afastamos da inércia de apenas estarmos sujeitos aos efeitos. A segunda vantagem é que, na maioria das vezes, as ações são de “amplo espectro”, o que significa que além de lidar com o cenário específico identificado, a ação provavelmente também vai lidar com muitos outros cenários diferentes, mas que poderiam causar efeitos similares. Como exemplo, a proteção para uma pane industrial pode ser a definição de um estoque de segurança, que faria também a proteção para um problema inesperado em um fornecedor, ou para a paralização de um aeroporto, ou para uma greve na fábrica…
Uma ideia muito poderosa é preparar-se para mais de um cenário e posicionar-se para que o resultado seja bom independentemente dos eventos incontroláveis, e um conceito dos investimentos pode ser usado para o caso geral de análise de riscos. Nos investimentos, esta lógica se exprime através de uma boa diversificação em ativos não correlacionados, considerando também a liquidez, no que podemos chamar de
posicionamento. A posteriori, alguém poderia sempre imaginar uma rentabilidade hipotética mais alta em um investimento concentrado no ativo que mais se valorizou. Isso não passa de uma miragem, e em prazos mais longos, carteiras diversificadas são muito mais rentáveis e resilientes. Além deste fato, um portfolio mais equilibrado, diversificado e com o nível correto de liquidez ajuda também nos aspectos cognitivos do investidor: em vez de correr junto com o resto do rebanho e vender apressadamente nas baixas, o investidor poderá decidir se aquele evento afetou ou não a tese de investimento em determinado ativo. Se não afetou, ou se a tese está até reforçada, a “desvalorização” não deve ser realizada, e pode até significar oportunidades.
No ambiente de negócios, o posicionamento significa a análise dos eventos possíveis, o entendimento de como eles se relacionam e a seleção das ações preventivas e oportunistas a realizar. Da mesma forma que no mercado financeiro, o posicionamento promove melhores resultados ao longo do tempo.
Eu usei um exemplo do mercado financeiro justamente porque a bolsa de valores ilustra uma distorção comum em relação à percepção de riscos. Devido à marcação a mercado e à oscilação dos preços segundo a segundo, uma queda é imediatamente noticiada e percebida como perda (assim como uma valorização de um ativo vai dar origem a notícias falando do maior bilionário do mundo, que é sempre o maior acionista da empresa com maior valor de mercado). Se o valor dos imóveis fosse marcado a mercado, a sua casa própria também poderia representar ganhos ou perdas minuto a minuto, mas isso não acontece e o investimento em imóveis e desproporcionalmente visto como mais seguro. Riscos de desvalorização permanente por um novo zoneamento, riscos físicos e questões importantes de liquidez são problemas ocultos que não estão refletidos no “valor de mercado”. Da mesma forma, seu negócio pode estar tomando riscos desconhecidos ou reagindo de forma intempestiva ao que é percebido como risco mas pode ser apenas ruido da marcação a mercado.
Se você precisa identificar e gerenciar seus riscos e oportunidades, fale com a
Zinneke. Nós vamos encontrar o consultor ideal para ajudá-lo com a metodologia adequada aos aspectos mais relevantes para o seu negócio, identificando as ações para otimizar seu resultado: mitigação de riscos e captura de oportunidades. Se estar preparado é muito difícil, estar bem posicionado é algo que está ao alcance de todos nós.
Eduardo Rocha acredita que planos são sempre imperfeitos, mas que ter um plano é melhor que andar sem mapa nenhum. É fundador da Zinneke
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