Você deve lembrar com saudades de um time assim: você estava no seu melhor, o mesmo acontecia com os outros membros do time (ou seria mais correto chamá-los de amigos?), o desempenho era extraordinário, os resultados impressionavam, as ideias fluiam naturalmente e rapidamente viravam realidade, todos trabalhando num equilíbrio ótimo entre desafio e apoio. Os problemas eram levantados rapidamente, as discussões eram abertas e francas, e as ações corretivas funcionavam.
Talvez você não precise sentir saudades, você tenha a felicidade de ser parte de um time assim, agora.
Ou como eu, terá vivido esta situação diversas vezes, e será capaz de refletir sobre o que fez e faz a diferença. O que acontecia naqueles períodos quase mágicos?
Calma, este artigo não será tão extenso que pudesse cobrir tudo o que se sabe sobre liderança, propósito, motivação, gestão de desempenho e estratégia, entre outros temas. Livros sobre “times de alto desempenho”, o Google me informa que há mais de trezentos. Só em português. Este artigo vai falar sobre um aspecto singular de todos os times de alto desempenho de que tive a honra de ser parte: a diversidade e a inclusão. Mas a abordagem é um pouco diferente da que tornou-se mais comum recentemente.
Os times existem para que disponham, no conjunto, de habilidades e recursos que não são encontrados em uma única pessoa. Usando um exemplo do futebol (o americano), os jogadores executam atividades bastante diversas: o quarterback é o responsável pela estratégia, o wide receiver é um velocista, o defensive tackle é o maior e mais forte jogador do time, o kicker é o especialista responsável apenas por tentar o field goal com um chute. Cada um destes jogadores acaba se especializando tecnicamente naquilo que se traduz em sucesso para a sua posição, mas não é este meu ponto. Mais do que a especialização de cada um, o importante é que a equipe disponha daquela habilidade dentro do time. E não apenas nas situações padrão de jogo, mas em todas as diversas circunstâncias, previsíveis ou não, que devem ser ultrapassadas ao longo do caminho para o sucesso.
As habilidades técnicas são necessárias mas não são suficientes, ainda menos no mundo empresarial do que no mundo dos esportes. Nos esportes, pode acontecer de um jogador com excepcional habilidade técnica mudar um jogo. No mundo empresarial, é muito mais raro que isso aconteça, porque as habilidades não técnicas tem um peso maior do que têm no futebol americano. Então, a formação dos times empresariais vai muito além de escolher o wide receiver mais rápido e hábil.
É aqui que diversidade faz a diferença. Da mesma forma que o time de futebol americano precisa de biotipos diferentes para as várias funções técnicas, para as habilidades não técnicas um time vai precisar de pessoas de vários estilos e crenças, diferentes origens e cultura, experiências e histórias de vida diversas. Estas diferenças todas vão compor o portfólio de habilidades de que o time vai precisar, nas mais variadas situações e circunstâncias.
Mas há dois pontos chave para que isso de fato aconteça.
O primeiro é que a montagem do time não deve ser um preenchimento de check-list, em que procuramos pessoas diferentes no sexo, na cor da pele ou em qualquer outro fator de diversidade, mas que acabem pensando todos como o chefe (talvez porque foram escolhidas justamente por isso). Todas estas diferenças externas aumentam a probabilidade de que diferenças na forma de agir, de pensar e de se comportar, não são o único fator.
Eu gosto muito de instrumentos que ajudam no autoconhecimento e no conhecimento do outro, como o MBTI (Myers-Briggs Type Indicator), uma tipologia baseada nos conceitos de Carl Jung que se estrutura em torno de quatro pares de preferências. O conceito é de que as pessoas preferem pensar e agir de uma determinada maneira, que elas acham mais natural e confortável. Uma analogia útil é a mão que você prefere usar para escrever: todo mundo consegue usar a outra mão, mas a experiência será bem menos fluida e a qualidade do trabalho será mais baixa.
Conhecer o meu perfil MBTI me permitiu entender melhor minhas preferências, meu estilo, minhas limitações naturais. Conhecer o perfil dos meus colegas de time permitiu entender, respeitar e valorizar as diferentes preferências, que muitas vezes são complementares. Permitiu também identificar e reconhecer a riqueza das diferentes preferências dentro do time, e até perceber competências que estavam em falta, e que podíamos corrigir trazendo para o time alguém novo e diferente. A mesma abordagem pode e deve ser usada para outros aspectos da diversidade, como origem, experiência de vida, idade, preferências, sexo, ambiente social, educação, história e muitos outros.
O segundo ponto chave é, claro, a inclusão, que no meu ponto de vista é até mais importante que a diversidade. Eu me refiro à inclusão verdadeira, a pessoa participar da ação e das decisões, de forma que seu pensamento diferente seja usado pelo time. Significa ter rotinas e um ambiente em que as pessoas sintam-se à vontade para expressar suas ideias e opiniões, e que tenham curiosidade e interesse pelas ideias diferentes dos outros membros do time.
Pronto, é isso: em todos os times de alto desempenho de que participei, as pessoas eram diferentes e as suas competências somadas produziam um time super competente, nos aspectos técnicos e não técnicos. O ambiente inclusivo a estas idéias e opiniões diferentes fazia com que o time fosse muito maior do que a soma de seus membros. E o respeito mútuo, o sucesso acumulado e a vitória do time em situações que nenhum membro venceria sozinho criaram o ambiente positivo e cheio de camaradagem que motiva a inovar e fazer tudo cada vez melhor, com aquela sensação de que o time era imbatível. O que era a mais pura verdade.
Criar times fantásticos assim está ao alcance de todos. A Zinneke pode te ajudar a encontrar o profissional que vai facilitar este processo de autoconhecimento e de conhecimento mútuo que é o começo de tudo. Fale conosco e se você nunca fez parte de um time assim, você não sabe o que está perdendo.
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Eduardo Rocha adora criar e liderar times, e adora ainda mais ajudar as pessoas a se desenvolverem e serem mais felizes. Fundou a Zinneke porque tem a ambição de fazer isso num ambiente mais amplo.
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